09 July 2009

Obras pela calada


E pela calada, lá fizeram umas obritas no terreiro do paço. Agora sim! Uma faixa para cada lado, aos esses e aos ziguezagues. Tão estreita que os pilaretes foram ceifados no minuto zero pelos pesados que por lá circularam. Agora sim! Vastos passeios para os milhares de pessoas que por lá circulam e horas de filas para quem não tem hipóteses e se vê obrigado a passar por ali de automóvel.
Ninguém pensou que se tivessem avançado o cais das colunas uns três ou quatro metros poderiam ter mantido a via dupla, desta vez a direito, e ao mesmo tempo permitiam a passagem dos peões de um modo seguro pelos passeios junto aos torreões, principalmente o torreão do lado do cais do sodré?
Ó Costa, por mim mereces saltar do poleiro pela sacanice do acto.

3 comments:

said...

Sem querer discordar veemente, permitam-me que introduza um dado histórico. A hipótese de alargar o cais das colunas destruiria o antigo porto que foi descoberto durante as obras de requalificação do terreiro. Na minha modesta opinião o Terreiro do Paço nem sequer devia ter circulação automóvel - tome-se os exemplos das mais emblemáticas praças/terreiros da Europa que estritamente reservadas para peões e para passeios pedestres. Tudo isto em prol da diminuição do "smog" citadino. Este não é um comentário pró-Costa. É sim um comentário "pra todos". Só uma opinião...

Boa sorte para o blogue.

João Araújo Gomes

um parvo qualquer said...

João Araújo Gomes, o antigo porto descoberto durante as obras estava na verdade à luz do dia nos anos 40, não foi nenhuma descoberta, foi prova da ignorância (ou guerrilha interna) que reina nos organismos reguladores portugueses, no caso o Igespar e a Frente Tejo, o primeiro porque foi para isso que foi criado e tornou-se um tacho de incompetentes, a segunda porque não pode ser apenas um bulldozer acéfalo que não respeita os donos.

Nem é um porto (a não ser que esteja a falar do limite medieval do rio que está irremediavelmente destruído), são umas escadas laterais de acesso a embarcações menores, iguais às que existem do outro lado, fazem parte do plano original da praça em conjunto com o cais das colunas, e por isso mesmo, ao contrário do que sugeriu o Fónix, não podem nem devem ser avançados 3 ou 4 metros para aumentar faixas de rodagem, porque não se desvirtua levianamente um plano barroco da dimensão daquele a não ser que o património não tenha validade nenhuma para os lisboetas, e até porque a intenção desde os anos 80 é retirar o trânsito das áreas históricas que não têm perfil para vias de atravessamento da cidade, e que com isso a transforma numa quasi-capital de um país africano pós guerra civil.

Ainda assim, o que eu retirei do post do meu conblogger foi a chico-espertice do António Costa cuja pressa em mostrar trabalho a tempo das eleições, e já que a assembleia do PSD não o permitiu coçar sequer o rabo durante o mandato, o levou a atropelar os trâmites democráticos transformando esta merda numa república das bananas, às expensas do próprio património que se propõe reabilitar.

E o problema é que a alternativa (a par do suicídio colectivo) é o Santana "Menino Guerreiro" Lopes.

said...

Fico contente que esteja informado em relação ao porto, sim porto, medieval. Mais correctamente cais quinhentista com estrutura em madeira. Para além disso foram descobertas, sim descobertas, uma escadaria pombalina e um muro de suporte de um cais do século XVII. Eu como arqueólogo e conhecedor das incompetências do órgão Igespar IP manifesto o meu agrado por saber que há pessoas fora do âmbito arqueológico que se interessam pelo património.

Acho que o António Costa errou na falta de atenção e tempo que deu ao acompanhamento arqueológico da obra. Mas pelo menos, e concordando consigo, não a destruiu!

Numa coisa estamos de acordo: É que não há alternativas para o caciquismo dos morubixabas lisboetas!!!